Política

Deputados devem ajudar a aprovar fim da jornada 6x1

Pauta histórica do movimento sindical, a redução da escala de trabalho finalmente pode avançar no país em 2026

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 07/01/2026 08h20 - Atualizado em 07/01/2026 11h25
Deputados devem ajudar a aprovar fim da jornada 6x1
Entre os defensores do fim da jornada de trabalho 6x1 estão os deputados federais Paulão e Marx Beltrão - Foto: Edilson Omena e Sandro Lima

Para 2026, último ano de mandato, o presidente Lula (PT) definiu a aprovação do fim da escala 6x1 na jornada de trabalho como prioridade. Em ano de eleição, em que o olhar fica mais generoso com o eleitorado, a pauta tem conseguido boa adesão entre os deputados federais. Na bancada alagoana, apenas dois deixaram de assinar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), Isnaldo Bulhões (MDB) e Arthur Lira (PP), mas nenhum deles chegou a dar declarações contrárias.

A PEC vem para reduzir a jornada de trabalho de 44h semanais para 36h horas semanais, mantendo a duração máxima diária de 8 horas de trabalho e sem redução salarial. Vale lembrar que o projeto original de Erika prevê a mudança com a substituição da escala máxima de trabalho de 6x1, para 4x3, promovendo a possibilidade de três dias de descanso para quatro dias de trabalho, mas muitos parlamentares que assinaram têm se pronunciado a favor de um meio termo, a escala 5x2.

Pauta histórica do movimento sindical, a redução da jornada de trabalho finalmente pode se avançar em 2026. Mesmo com as divergências ideológicas, esse assunto nem de longe divide esquerda e direita, governistas e oposicionistas. Estão do mesmo lado desde o petista histórico Paulão, até o bolsonarista Alfredo Gaspar (UB).

Segundo dados oficiais da Câmara dos Deputados, 226 deputados assinaram a PEC no ano passado. Vários partidos estiveram representados, inclusive o PL. Em Alagoas, estavam na lista Paulão (PT), Daniel Barbosa (PP), Rafael Brito (MDB), Marx Beltrão (PP), Alfredo Gaspar (UB), Luciano Amaral (PSD) e Fábio Costa (PP).

O líder da bancada federal alagoana, deputado Paulão (PT) reforça que a bancada governista está nacionalmente focada nesta pauta. “Em relação a esse debate da escala para diminuir o fim da jornada, sou favorável. Essa pauta o Partido dos Trabalhadores assumiu, e agora o presidente Lula. Então a gente só está aguardando, quando o projeto foi enviado na volta do recesso, terá meu voto”.

O petista argumenta a importância do projeto. “Todos os países que têm uma democracia consolidada, uma economia estabilizada, uma distribuição de renda que melhora a qualidade de vida do povo, um dos motivos foi você fazer essa diminuição, porque você fortalece a qualidade de vida do trabalhador. E o que está em jogo é um problema também da folga e a saúde mental. Tanto homem quanto a mulher, ter a possibilidade de estar mais unido, acompanhando sua família, isso tem um papel fundamental, mas a gente está vivendo esse ano no mundo um problema muito grave que é a saúde mental. Então essa escala, além de fortalecer a família, melhora a qualidade de vida como ser humano, sou favorável”.

Também apresentou defesa à redução, o deputado federal Marx Beltrão (PP). Ele entende que é importante adotar modelos de jornada mais equilibrados, como a escala 5×2, que garante dois dias consecutivos de descanso semanal, e pondera para que não passe disso. “Defendo o trabalhador e lutarei sempre por melhores condições de trabalho. Mas é fundamental que as decisões do Congresso estejam alinhadas com a realidade de quem emprega. Precisamos de equilíbrio: proteger quem trabalha, preservar empregos e permitir que as empresas continuem produzindo e gerando oportunidades”, afirmou Marx.

O deputado destacou que a jornada 5×2 representa um avanço dentro da legislação atual ao promover mais descanso, previsibilidade e qualidade de vida, sem impor rupturas abruptas ao ambiente produtivo. Para ele, jornadas excessivamente desgastantes comprometem a saúde do trabalhador e reduzem a produtividade, enquanto modelos mais equilibrados beneficiam toda a cadeia econômica.

Beltrão espera que Alagoas participe ativamente desse debate nacional, e se coloca como negociador de consensos. “Nosso estado tem uma força de trabalho dedicada e um setor produtivo que precisa ser fortalecido. O caminho é o diálogo, com responsabilidade e sensibilidade social. É possível avançar em direitos, melhorar a vida do trabalhador e, ao mesmo tempo, respeitar a realidade econômica do país”.